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domingo, 30 de novembro de 2014

Síntese do Texto: De Examinar para Avaliar, um Trânsito Difícil, mas Necessário

“DE EXAMINAR PARA AVALIAR, UM TRÂNSITO DIFÍCIL, MAS NECESSÁRIO”.

Cipriano Carlos Luckesi

LUCKESI explica que para haver mudanças no processo de ensino-aprendizagem atual, é necessário que se desenvolvam novos hábitos educacionais, para que haja uma transição dos hábitos do exame para o hábito de avaliar, exigindo atenção constante dos educadores, já que o hábito do exame está profundamente inserido na história da escola, e isso dificulta um pouco esta transição do método de avaliação.
Estas dificuldades de transição possuem três fatores essenciais, são eles: 1º - as contribuições da história da educação, 2º - o modelo de sociedade em que vivemos é um modelo burguês, excludente, caracterizado pelos exames escolares e 3º - a simples repetição do que ocorre com cada um de nós, durante toda a vida escolar.
O Autor relata que a história da educação aprisiona os educadores sobre a influência de práticas de condutas praticadas nos séculos passados, fazendo com que esse ciclo passe a cada século sobre a educação, e consequentemente a escola é uma dessas instituições e o exame passa a ser o recurso utilizado pela escola para examinar e não avaliar os educandos.
Para que haja uma mudança, é necessário que se mude o modo de compreender as coisas, o modo de agir dos educadores para que o passado seja superado e os educadores venham construir novos pensamentos e ideias, para que assim os educandos sejam avaliados de maneira mais eficaz.
Já no modelo social, uma das principais características desse fator é a exclusão. Vindo de um modelo social burguês capitalista, o modelo de exclusão se utiliza dos exames para tal. A avaliação da aprendizagem é democrática, inclusiva e acolhe a todos, diferente do modelo capitalista excludente da sociedade burguesa.
O terceiro fator é a reflexão do que foi vivido no passado pelo educador, sendo refletido em suas práticas atuais, dificultando assim a transição do método de examinar para o método de avaliar, já que durante a formação os educadores, eles passam pela “ameaça dos exames” em sua formação e acaba repetindo este mesmo método aos educandos.
Para que a barreira do exame seja quebrada, o educador precisa assumir uma consciência clara de que está sendo rompido um modelo social excludente, pois a avaliação é inclusiva, para isso acontecer, precisa haver uma conversão de valores, só assim ele conseguirá mudar o seu modelo de avaliação.
LUCKESI conclui que, caso o educador deseje transitar do ato de examinar para o de avaliar, ele precisa fazer um exercício de memorização todos os dias antes de ter o encontro com os educandos, repetindo um propósito muitas vezes, para que aos poucos esse modelo de examinar saia do seu subconsciente e entre o modelo de avaliar, só assim o educador conseguirá essa transição de valores e para isso tem muito trabalho a se fazer, mas valerá a pena todo o esforço do educador.


LUCKESI, Cipriano Carlos. De examinar para avaliar, um trânsito difícil, mas necessário. In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. Ed. São Paulo: Cortez, 2011, p.67-72.

Síntese do Texto: Avaliação da Aprendizagem Escolar: Apontamentos Sobre a Pedagogia do Exame

“AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR: APONTAMENTOS SOBRE A PEDAGOGIA DO EXAME”.

Cipriano Carlos Luckesi

O autor relata que o processo de avaliação da aprendizagem começou a ter um espaço amplamente maior nos processos de ensino direcionada a “pedagogia do exame”. Sendo assim o exercício pedagógico escolar é centrado mais para a pedagogia do exame do que a pedagogia do ensino/aprendizagem.
A prova é bastante utilizada pelos professores como instrumentos de ameaça para forçar os alunos a aprender determinada disciplina, utilizando do medo da reprovação para levar o aluno a estudar, muitas vezes por essa pressão toda, o aluno decora as respostas para obter a nota, sem se preocupar com a aprendizagem do conteúdo.
Muitas vezes as provas aplicadas aos alunos não são para auxiliar o processo de aprendizagem e sim para “provar” os alunos, os professores muitas vezes aplicam uma complexidade muito maior nas provas do que aquilo trabalhado em sala de aula, então essas provas muitas vezes são para “reprovar” o aluno.
            Comênio afirma que o medo é um excelente fator para manter a atenção do aluno na disciplina, com isso eles aprenderão com muito mais facilidade, sem fadiga e com economia de tempo.
            O fetiche e o medo estão ligados diretamente na pedagogia de ensino atual, mas a pior delas é o medo, pois através desse método é pregado o “castigo” como instrumento gerador do medo, atualmente não se usa mais os castigos físicos, porém o que é utilizado é um tipo de castigo ainda pior, o castigo psicológico.
            A pedagogia do exame possui algumas consequências visíveis: as consequências pedagógicas, psicológicas e sociológicas.
            Pedagogicamente, a avaliação da aprendizagem, na medida em que está voltada para os exames, não cumprirá a sua função de subsidiar a decisão da melhoria de aprendizagem e sim são centradas só as notas.
            Psicologicamente, a avaliação da aprendizagem utilizada de modo fetichizado é útil ao desenvolvimento de autocensura, o autocontrole psicológico segundo o autor pode ser a pior forma de controle, pois transforma o sujeito uma “presa” de si mesmo.
            Sociologicamente, a avaliação de aprendizagem utilizada de modo fetichizado é útil para os processos de seletividade social. Neste caso o autor conclui que esse tipo de avaliação está muito mais articulada com o fator “reprovação” do que “aprovação” e é ai que entra a sua contribuição para a seletividade social.


LUCKESI, Cipriano Carlos. A avaliação da aprendizagem escolar: apontamentos sobre a pedagogia do exame. In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. Ed. São Paulo: Cortez, 2011, p.35-44.

Síntese do Texto: Uma polêmica em relação ao exame

“UMA POLÊMICA EM RELAÇÃO AO EXAME”

Ángel Díaz Barriga

O autor afirma que o exame se reflete diretamente sobre o nível de aprendizagem do aluno, não é ele que move o ensino. Nem sempre o exame está relacionado com o resultado das notas ou da certificação da aprendizagem.
Segundo Barriga, a pedagogia do exame criou mais consequências do que resolveu problemas para a educação. O exame é considerado um instrumento a partir do qual se reconhece o aprendizado, em contrapartida o exame não indica realmente qual é o nível de saber de um sujeito. Existem 3 evidências importantes que mostram a finalidade do Exame na prática pedagógica, são eles:
1º: O exame foi um instrumento criado pela burocracia chinesa para que fossem eleitos membros de castas inferiores às altas castas.
2º: Antes da Idade Média não existia um sistema de exames ligado a prática educativa.
3º: Porque a atribuição de notas ao trabalho escolar é uma herança do século XIX à pedagogia.
A estrutura social é importante, pois sem uma estrutura social adequada, a qualidade da educação vai ser baixa. Uma das atribuições ao exame é determinar que um sujeito pode ou não ser promovido de uma série para a outra.
Em uma segunda inversão sobre o exame, Comenius afirma que a função do exame consiste em ser a ultima parte do método que pode ajudar a aprender. O exame servia para qualificar o desempenho estudantil.
A pedagogia do exame consistia em uma pedagogia articulada em função da certificação. No século XX a pedagogia deixou de referir-se ao termo exame, sendo substituído por teste e posteriormente por avaliação. As duas concepções foram resultado de um processo de transformação social que ocorreu na industrialização monopólica.
Os testes eram empregados na seleção das forças armadas, no conjunto social e nas escolas. Os testes de inteligência eram aplicadas para determinar que os sujeitos sociais marginalizados possuíssem um coeficiente intelectual abaixo do normal. Eram usados também para justificar a necessidade de eliminar aos que, por seu escasso coeficiente, não deviam estar na escola.
O uso de testes educativos no plano da ideologia possibilitou que a escola debatesse sobre as diferenças individuais, ou os estudantes mereciam receber educação em virtude da sua inteligência ou eram destinados a ser operários nas fábricas por ter um nível de conhecimento mais baixo que o exigido.
Já o uso dos testes no plano político permitia justificar o acesso à escola de acordo com as condições individuais. O sistema educacional Mexicano desde muito cedo incorporam em seu sistema de ensino os testes de aprendizagem sob a forma de provas objetivas.
Especialistas em avaliação da aprendizagem em geral não tem uma formação sólida. Então a avaliação é vista como atitude crítica e que vai além da aplicação do exame.
Barriga conclui que uma vez recuperada a sala de aula como espaço de reflexão, debate e organização de pensamentos, o problema do exame se tornará totalmente secundário. Pois a pedagogia preocupou-se tanto com as questões de exames e notas, que acabou caindo em uma armadilha que impede a percepção de estudos sobre os grandes problemas existentes na educação.


BARRIGA, Angel Diaz. Uma polêmica em relação ao exame. In. ESTEBAN, Maria Tereza (Org.). Avalição: uma prática em busca de novos sentidos. 5. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003, p. 51-82.